Presidente diz que quer manter relações comerciais com Irã

"Nós repudiamos o terrorismo em qualquer lugar do mundo", disse

Milhões em grãos lidera as exportações brasileiras para o Irã. Foto de Pedro Revillion/Palácio Piratini

O presidente Jair Bolsonaro disse nesta terça-feira (7/1) que o Brasil pretende manter as relações comerciais com o Irã e afirmou que repudia o terrorismo. “Nós repudiamos o terrorismo em qualquer lugar do mundo e ponto final. Temos comércio com o Irã e vamos continuar esse comércio”, disse.

Segundo as estatísticas de comércio exterior, fornecidas pelo Ministério da Economia, os negócios entre Brasil e Irã movimentaram entre janeiro e novembro de 2019 $ 2,2 bilhões de dólares. Para o Brasil houve um superávit de $ 2.028,2 bilhões de dólares. O Irã tem 1,03% de participação nas exportações brasileiras e figura em 23º lugar do ranking geral. Sendo milho, soja e carne bovina os produtos mais exportados. Do Irã, o Brasil importa ureia (97% de todas as importações).

Na semana passada, o governo brasileiro manifestou seu apoio “à luta contra o flagelo do terrorismo”. A nota do Ministério das Relações Exteriores foi divulgada um dia após a ação ordenada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ter matado Qassem Soleimani, principal general iraniano e considerado por muitos analistas como o segundo homem mais poderoso do governo iraniano. O ataque ocorreu nas proximidades do Aeroporto de Bagdá, capital do Iraque. O Itamaraty, entretanto, não comentou a morte do general iraniano, mas condenou o ataque à embaixada dos Estados Unidos em Bagdá, ocorrido dias antes.

Nesta semana, o Ministério das Relações Exteriores do Irã convocou os representantes diplomáticos brasileiros a comparecerem à chancelaria iraniana para explicar o teor da nota divulgada no último dia 3. A convocação foi atendida pela encarregada de Negócios do Brasil em Teerã, Maria Cristina Lopes.

Bolsonaro também disse que vai conversar com o ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, sobre a possibilidade de pedir uma reunião com os diplomatas iranianos no Brasil. Para o presidente, o governo tem que ter a capacidade de se antecipar a problemas.